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A Cegueira da Alma

A cegueira da alma

 

“Se alguém diz: ‘Eu amo a Deus’, e no entanto odeia o seu irmão, esse tal é mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus a quem não vê.” (1 Jo 4, 20)

 

Lendo esse versículo, eu me pergunto como tem sido minha experiência de amor. Será que estou pondo em prática aquele único mandamento que Jesus nos deixou, “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” (Mc 12, 29-31)? Num primeiro momento, a resposta sai rápida: “claro que sim, Jesus é o que mais importa em minha vida!”, pois é fácil declarar meu amor por Aquele que deu Sua vida para minha salvação. Mas, se parar pra pensar em como me relaciono com as pessoas que me cercam, o assunto fica um pouco mais complicado.

 

E se a gente refletir bem, a lógica de 1Jo faz todo sentido. Não dá para amar verdadeiramente a Deus, se desprezamos os Seus filhos, a quem, supostamente, vemos. Digo supostamente, porque, não raras vezes, nós passamos pelas pessoas sem enxergá-las, sem buscar conhecê-las ou mesmo saber como elas estão. Pessoas da nossa rotina, no trabalho, nos estudos, nos compromissos da Igreja, e até as pessoas da nossa família passam pelos nossos dias sem que lhe reservemos um olhar real. Vemos, mas não enxergamos. Não sabemos se ela está passando por algum problema, se precisa de ajuda ou de uma palavra amiga. Ficamos limitados a diálogos vazios “- Tudo bem? - Tudo, e com você?”, e assim a vida segue, como se cada coisa estivesse em seu devido lugar, mas sofrendo de uma “cegueira na alma”.

 

É essa cegueira que nos impede também de atentarmos para a realidade social que nos cerca. Quantos irmãos nossos vivem nas ruas, passam fome, sede e frio? Quantos passam necessidades por não possuírem aquilo que é mais básico para a subsistência humana? Quantas de nossas crianças são obrigadas a abandonarem a sua infância e acabam entrando no mundo das drogas e da prostituição? Agora, eu pergunto, quantas vezes nós estendemos a mão a uma dessas pessoas? Quantas vezes, saímos da nossa cômoda rotina, para lhes dar um pouco de atenção? Será que não estamos mudando de calçada ao nos depararmos com esses nossos irmãos, que são tão imagem e semelhança de Deus quanto nós?

 

Podemos até pensar, numa tentativa de aliviar a nossa consciência, que isso não é um problema nosso, mas do governo. Nós fazemos nossa parte, pagamos os impostos e tudo o mais. Quem quiser que vá trabalhar... Mas será essa uma atitude cristã?

 

Cristo tinha predileção pelos pobres (cf. Tg 2, 1-9), pelos doentes, pelas viúvas. Andava com pessoas consideradas pecadoras, impuras, os excluídos e marginalizados da sua época. E, quando chegar a hora, Ele nos perguntará o que temos feito pelos seus pequeninos (cf. Mt 25, 31-46). Será que nossa resposta será condizente com o amor que tanto temos pregado? Fica a reflexão...

 

Que o Espírito Santo nos ajude a enxergar o nosso próximo e lhe doar um pouco da nossa atenção, fazendo de nós imitadores de Cristo Jesus!


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